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A Garça, animal de poder...

A Garça é uma caçadora solitária. Depois de alçar o voo para dentro de si, para a imensidão do seu silêncio, ela escutou todos os segredos que não encontrou em nenhum outro lugar. Somente ao contemplar a profundeza dos seus mistérios, ela ascendeu às suas maiores alturas. Nada mais pode abalar a sua tranquilidade. Ela está livre, pois abdicou de todas as amarras internas que impediam sua libertação. Foi na contemplação do seu mundo íntimo que a Garça finalmente descobriu que a solidão não existe…


Por vezes, a Garça se equilibra num pé só e permanece completamente imóvel, num estado de atenção plena e contemplação. Essa postura irradia o ensinamento sobre paciência, sobre observar a vida com presença e serenidade. Aprendemos a cultivar a paz e o equilíbrio diante das rajadas de vento que encontramos ao longo da jornada, movidos sempre pela sabedoria que emana do nosso silêncio interno. Voamos com ímpeto e graça, para além das frágeis fronteiras das nossas limitações.

Na mitologia egípcia, a Garça remete à figura da Íbis, o pássaro associado a Thoth, o deus da sabedoria e símbolo da filosofia hermética. Os egípcios também atribuíam à Garça a origem da grande Fênix, o pássaro do renascimento, e às expressões sublimes dos deuses Ra e Osíris. Ao longo dos tempos, a Garça foi vista como mensageira das forças divinas, responsável por conduzir as almas aos portais da vida eterna. A Garça é a ponte entre o mundo dos sentidos e a dimensão espiritual.

A Garça nos convida a contemplar o imprevisível movimento da vida. A trilhar o nosso próprio caminho sem receio das reflexões superficiais que o mundo possa vir a fazer sobre nós. A Garça explorou as inomináveis dimensões do mundo invisível e retornou para a Terra, onde voltou a contemplar a existência com absoluta serenidade e confiança. Sua visão não é a mesma de outrora. Seus olhos enxergaram tanta beleza dentro de si que ela descobriu a beleza de todas as coisas.

“Vá fundo para dentro de si. Vá tão fundo até essa ilusão chamada ‘você’ desaparecer…” (Ranjit Maharaj).

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