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Primeira sessão do ciclo de 4 da químios vermelha...

Oie, tudo bem com você?


Hoje trago não só um boletim de como estou me sentindo, mas também como tem sido a minha participação no processo de cura, especificamente essa vivência dentro do Hospital Vila Santa Catarina.


Começo feliz em dizer, que mesmo tendo lido e ouvido que o fármaco da químioterapia popularmente chamada de vermelha, é bem mais agressivo (chamado de droga belicosa), com sensações ruins inclusive na hora da sessão, desconfortos pós, e tantas outras percepções, eu digo que comigo foi tudo bem, tão leve quanto todas as outras sessões que já passei da série branca.


Depois que cheguei em casa, eu me senti um pouco derrubada, necessidade de ficar quietinha, um topor, uma tonturinha, uma sensação de Ayahuasca (para quem já passou por esse ritual que altera o estado de consciência, saberá o que estou dizendo rsrsrs). Me entreguei, senti tudo que precisava sentir, depois fui para cama, dormi a noite inteira e acordei renovada.


Ahhhh! Com esse ciclo veio um novo aprendizado. Auto aplicação de injeção... sim, vim pra casa com um kit de cinco injeções para aumento da imunidade, para que eu fique equilibrada, pois como ja dito, essa químio vermelha é muito forte e tem esse efeito colateral. Cenas dos próximos capítulos, vou saber se ela iria me derrubar mesmo ou se a aplicação das injeções vou ficar com alta/super/master imunidade kkkk


Eu e meus experimentos com as drogas que estão sendo aplicadas. Sempre digo aos médicos, eu sei que vocês tratam a doença... mas ela está acompanhada do meu conjunto básico. O que serve pros outros nem sempre serve para mim.... E aí vamos aprendendo um com o outro... sem nenhuma conotação de soberba. Eu me divirto muito, não sei eles...rsrs


A maioria que me conhece, sabe que sou uma pessoa bem questionadora e de opnião, rs... E não estou sendo diferente na vivência do meu tratamento, por isso, brinco que sempre dou uma "causadinha" na paz e na ordem da rotina hospitalar, mas sempre com muita amorosidade kkkk


Toda vez que tem um novo procedimento, eu vou com a minha lista de perguntas e de respostas, para tentar fazer parte de tudo e achar um caminho do nós, porque pra mim o nós é muito importante...


E o que hoje quero deixar registrado aqui é que o tratamento e o preparo dos funcionários desse hospital (100% SUS, administrado pelo Albert Einstein em parceria com a prefeitura) é excepcional. Tudo funciona muito bem. O que mais me transborda é a empatia e o cuidado que eles tem com cada paciente. Ali, me sinto cuidada com AMOR E RESPEITO. Um exemplo...


Há uns quinze dias, vieram me recomendar colocar um acesso centrar chamado PIC, e eu fui pesquisar a respeito, fui ver o que me afetaria no dia a dia, fora do ambiente do hospital, as facilidades, os riscos depois de receber as explicações. Sabendo que já tinha passado por 12 sessões e meu acesso periférico (veias) estavam reagindo muito bem, resolvi declinar da recomendação. Para isso, conversei com umas 5 ou 6 enfermeiras e também com a oncologista, que me explicaram e me perguntaram se eu estava entendendo direito, se eu sabia dos riscos, e o porque da minha decisão, e tudo com muito respeito e acolhimento aos meus argumentos. Aceitaram e resolvemos que experimentaria, com a primeira sessão e se algo não saísse bem com o meu corpo, eu aceitaria a sugestão do protocolo.


Minha surpresa, ontem antes de iniciar a sessão uma das enfermeiras coordenadoras, me recebeu para a químio e me explicou que ela mesmo ia ministrar o fármaco de maior risco, para minha segurança. Isso durou 15 a 20 minutos e muita conversa e gratidão pela empatia e respeito a minha decisão, que claro que tomei me responsabilizando pelas minhas escolhas, mas eles trataram minhas escolhas com atenção.


Eu tive convenio médico por uns 20 anos da minha vida, mas nunca fui tão bem tratada, como estou sendo agora pelo SUS. Muitas vezes julgamos sem conhecer e se aprofundar. Sei que essa experiência estou tendo através do meu olhar, da minha forma de lidar e interagir hoje. Sei também que o sistema de Governo tem muito ainda o que melhorar, mas quando começamos a fazer parte e trocar experiências, saímos do julgamento e entramos num processo de troca.


É muito bom compartilhar semanalmente essa trajetória da Elis sendo paciente.


Este está sendo um papel de muitos aprendizados. Sinto que através da minha história, você pode entrar em contato com a sua, como um espelho. Estou usando aqui o meu momento pessoal, mas sempre com a intenção de você refletir sobre o seu processo. Essa é minha veia terapêutica. As experiências não precisam ser iguais, mas a troca é muito valiosa.


A maior sacada é achar o ponto de equilíbrio, dar e receber, ser paciente com pacificidade e não passividade, se colocar no lugar do outro e também achar um jeitinho amoroso de voltar pra você sem se agredir ou perder seus valores...


Enfim... agradecer por cada experiência que se apresenta e aprender ao máximo sobre você através dela com muita empatia, amor e respeito ao processo.


O que vamos levar daqui são somente o aproveitamento de cada experiência. Essa bagagem invisível que está dentro de nós, como está sua viagem? Como está sua bagagem?


Essas são reflexões para você... Conte-me as suas!


Desejo que tenha um ótimo final de semana da forma que ele se apresentar. Aproveite!


Eu vou aproveitar saracoteando com meu amor! Carpe Diem...

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