Minha Homenagem aos Anônimos
- Elis Nicolosi

- 5 days ago
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Quando deixamos de nos ver?

Será que, para sermos lembrados, precisamos ser vistos?
Em qual momento nós nos perdemos do mundo real? Aquele mundo onde todos importam. Onde cada pessoa tem um papel, uma história, uma contribuição — independentemente do cargo que ocupa, do número de seguidores que possui ou da quantidade de pessoas que aplaudem o que faz.
Tenho pensado muito sobre isso.
Em minha trajetória de vida e, principalmente, profissional, sempre me peguei dando mais atenção àqueles que estavam na operação, na organização, nos bastidores. Àqueles que faziam as coisas acontecerem.
Talvez porque eu sempre tenha acreditado que um trabalho só existe porque muitas pessoas o constroem.
Nunca me impressionou muito o cargo. Poder, para mim, nunca foi sinônimo de importância.
Aliás, algumas vezes encontrei mais humanidade, inteligência e disponibilidade justamente em quem não precisava provar que tinha poder.
E talvez seja por isso que ando tão cansada dessa hipocrisia social. Todos querem ser vistos.
Poucos querem verdadeiramente se ver.
Todos querem reconhecimento.
Poucos estão dispostos a reconhecer.
Todos querem falar.
Poucos realmente querem escutar.
Todos querem aparecer na fotografia.
Poucos se perguntam quem preparou o cenário para que aquela fotografia pudesse existir.
E não estou falando apenas das redes sociais.
Estou falando de um comportamento que parece ter invadido nossas relações, nosso trabalho, nossas escolhas e até a maneira como enxergamos a nós mesmos.
Estamos construindo versões cada vez mais bonitas de nossas vidas para serem apresentadas ao mundo, enquanto, muitas vezes, deixamos de cuidar daquilo que está acontecendo longe das câmeras.
E então me pergunto:
Será que é por esse caminho que realmente vamos transformar o mundo?
Será que uma sociedade que valoriza tanto a aparência, a exposição e a validação externa está, de fato, caminhando para um lugar melhor?
Ou estamos apenas aprendendo a construir uma versão cada vez mais convincente de nós mesmos?
Eu não tenho todas as respostas.
Mas tenho uma certeza: quando estou cansada, eu descanso.
Não desisto.
Talvez seja isso que também precisamos reaprender.
Parar.
Respirar.
Olhar para dentro.
Voltar para o que é essencial.
Lembrar que a vida não é uma competição permanente por visibilidade.
Que nem tudo precisa ser publicado.
Nem todo gesto precisa ser reconhecido.
Nem toda conquista precisa de plateia.
Existem coisas que são importantes justamente porque ninguém viu.
Uma mão estendida.
Uma palavra dita na hora certa.
Um trabalho bem-feito nos bastidores.
Uma pessoa que permaneceu quando seria mais fácil ir embora.
Um cuidado que ninguém fotografou.
Uma escolha ética feita quando ninguém estava olhando.
Talvez seja aí que ainda exista uma parte muito verdadeira de nós.
E talvez a pergunta não seja apenas “como quero ser visto?”
Talvez seja:
“Quem estou me tornando quando ninguém está olhando?”
Porque o mundo não precisa apenas de pessoas brilhantes.
Precisa de pessoas inteiras.
Precisa de quem cuide.
De quem sustente.
De quem faça.
De quem reconheça.
De quem tenha coragem de sair do centro para que o coletivo possa existir.
A vida está realmente a favor do crescimento das nossas vidas?
Ou estamos apenas criando uma versão do “melhor perfil” para aparecer diante das câmeras?
Essa é a minha reflexão de hoje.
Não como uma crítica ao outro.
Mas como um convite para cada um de nós olhar para si.
Porque talvez a mudança que tanto esperamos no mundo comece justamente quando deixamos de perguntar “como posso ser visto?” e começamos a perguntar:
“Como posso contribuir?”
E, quem sabe, nesse caminho, descubramos novamente aquilo que nunca deveria ter deixado de ser óbvio:
todos importam.
Bora trabalhar e construir um EU melhor para existir um NÓS maravilhoso! Todos somos um, ou todos somos todos? A mudança é de dentro para fora, e não ao contrário!




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